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A maldição de Arbon. Parte 8

XI. — Temos de levá-la a um lugar seguro. — disse Irkan quando enfim pararam ofegantes. — O mosteiro. — disse Macus. — Já não lhes disse que não posso voltar? — falou Lissa em língua Comum — Eles não me receberão. — E o que sugere que façamos? — perguntou Irkan. — De fato, preciso de orientação do templo... — disse ela após pensar um pouco — Serei castigada, mas... não há outra forma... — Ninguém lhe fará nenhum mal. — disse Macus. — Eu asseguro. Ela assentiu vacilante. — Esses sacrifícios têm de parar. — tornou Macus. — Lissa, por favor, mostre-nos o caminho. — pediu Irkan interrompendo o outro. Macus voltou-se para segui-la, mas Irkan o segurou: — Nós não devemos interferir nas crenças das pessoas. Não estamos aqui para doutriná-las. — E se estão equivocadas? — Não lhe foi dada autoridade para julgar. Se estiverem equivocadas, um dia acordarão e melhorarão. Por ora... — Então o que estamos fazendo aqui? — Macus cortou. Irkan ficou em silêncio e observo...

A maldição de Arbon. Parte 7

X. Irkan olhou em volta preocupado. Várias luzes haviam se acendido no interior das casas mais próximas e algumas pessoas começavam a sair de suas moradas, possivelmente atraídas pelo barulho. Algumas os encaravam. — Macus, — chamou ele e voltou a usar a língua Comum — precisamos sair daqui depressa. Dê um jeito nisso. — ele apontou com a cabeça para a criança e, em seguida, passou a observar as pessoas. Algumas já faziam menção de se aproximar. Macus juntou o equipamento e tocou os ombros da menina. — Por favor, venha conosco. — disse ele gentilmente em élfico. — Temos de sair daqui . Ela aquiesceu. — Eles estão com a oferenda! — gritou uma mulher. — É a criança consagrada! Macus olhou para Irkan preocupado. — Eles impediram o sacrifício e amaldiçoaram a menina! — gritou um homem. — Vamos! — disse Irkan e os três se apressaram para o interior da floresta ao norte. Ouviram ainda vozes gritando: — Eles a levaram! Peguem-nos! Quando estavam fora das vistas dos m...

A maldição de Arbon. Parte 6

IX. Irkan levantou-se com um pulo. Ia tomar a menina no colo, porém a violenta rajada de vento também veio sobre ele, todavia, estando preparado, resistiu e manteve-se firme no chão. Protegeu a criança atrás de si e sacou uma espada curta da bainha. Colocou-se em posição de vigilância e esperou. Macus se levantou com dificuldade e veio até eles. Nesse momento, ouviram um estalo e uma grande árvore foi arrancada pela raiz e tombou próximo deles, não lhes oferecendo, contudo, nenhum perigo. Os três se afastaram e esperaram, observando. — Não tenham medo . — disse Lissa — Não creio que queiram lhes fazer mal. Os fantasmas podem ser manifestações que se dão pela vontade dos Kamms. Às vezes, podem estar querendo transmitir-nos alguma mensagem, embora eu ainda não tenha compreendido qual seja. Vamos descobrir, não se preocupem. — E se eu lhe contar a minha teoria? — disse Macus com a mão em uma costela e em meio a uma careta de dor — Acredito que o fantasma não quer que você morr...

A maldição de Arbon. Parte 5

VIII. Macus, Irkan e a meio-elfa se sentaram ao redor do fogo ao abrigo das árvores da Floresta das Feras na porção norte do vilarejo de Arbon. Por ali havia poucas casas e a maioria delas ainda mantinha as luzes apagadas, embora já se iniciassem as primeiras horas daquele dia. Grilos cricrilavam ao redor, e vaga-lumes pintavam o espaço com seus faroizinhos luminosos, os quais atraíam a atenção da menina. Tanto ela quanto Macus estavam enregelados e tremiam e o aconchego da fogueira foi para eles grande alento. Irkan preparou uma infusão de ervas e deu-lhes de beber. Quando ambos se sentiam restabelecidos, Macus se dirigiu à menina. — Gostaria de saber o seu nome, pequena guerreira. — falou ele em élfico. — Sou Lissa . ­— respondeu ela na mesma língua e com boa disposição. Seu olhar se transformara, deixando a sombra do medo, e ela o encarava com sagacidade. — Muito prazer, Lissa. Eu sou Macus e meu companheiro é Irkan. — Vocês não são daqui. — disse ela. — Tem razão, ...

A maldição de Arbon. Parte 4

VII. A menininha os fitava com seus grandes olhos claros arregalados e, encolhida, tremia. Os elfos a observavam cautelosos. Era uma meio-elfa de tenra idade. Seus louros cabelos perfumados estavam desgrenhados. Seu alvo vestido se enchera de areia, mas o cinturão prateado que a cingia estava intacto. O colar de pérolas havia se partido de seu pescoço e as joias se espalharam ao seu redor.   Era possível ver, embora ela se abraçasse, que uma de suas mãozinhas estava ferida. Macus, cauteloso, sem tocá-la, dirigiu-se a ela em élfico. — Não tenha medo, criança. Não lhe faremos mal. Ela continuou na mesma posição hesitante. — Você está ferida . — disse Irkan também em élfico. — Deixe-nos ajudá-la. — ele fez uma pausa — Pode nos entender? Ela acenou com a cabeça. — Ótimo. — tornou Irkan. — Então, por favor, deixe-me ver suas mãos . Ela o encarou temerosa, mas estendeu a mão devagar. Irkan lavou-a com água de seu cantil, depois com um pouco de água do mar. Ela retesou a m...

A maldição de Arbon. Parte 3

VI. Os elfos caminharam mais alguns quilômetros e chegaram à faixa de areia escura. A praia estava deserta e o vento que soprava do mar congelava até os ossos. Ficaram algum tempo observando a maré alta sob a lua crescente. Muitos metros mar adentro, era possível divisar os contornos de um cruzeiro com correntes balouçantes envolvendo-o. Ao sul, havia um tablado como um altar. Por ali restavam algumas redes e o pescado, tudo aparentemente deixado às pressas, além de boinas jogadas pela areia. Também barcos com os remos largados de lado e um ou outro equipamento de pesca, além de vasilhames e um cantil se espalhavam pela areia. Macus dirigiu-se até o tablado e ali apanhou um pergaminho, que se pôs a analisar. Irkan aproximou-se. — Penso que seja alguma espécie de prece ritual, mas não consigo ler. — disse Macus passando o pergaminho a Irkan. O elfo o analisou pensativo. — Tem razão... Trata-se de uma súplica ao Kamm da vida e da pureza... Está escrito na língua Comum, mas é um...

A maldição de Arbon. Parte 2

Então é tempo de quarentena... Nesse momento em que atravessamos tantas dificuldades e apreensão, vamos aproveitar para refletir sobre nosso papel no mundo, sobre o quanto somos importantes e sobre o quanto podemos fazer para ajudar os outros. Vamos trabalhar dentro de nossas casas, conviver com nossas famílias, usar e abusar do telefone e das vídeo-chamadas... e, principalmente, vamos ter fé de que, se fizermos a nossa parte, sobreviveremos a essa fase e ressurgiremos outros, novos, mais fortes, experientes e solidários. Se eu puder dar uma pequena contribuição, deixo aqui uma dica para distrair a cabeça, esquecer a doença e evitar a depressão. Além de conversar bastante com as pessoas queridas, arranjar um jeitinho de fazer um exercício físico em casa, é bom trabalhar a mente. Muitas coisas podem ser feitas, como uns trabalhinhos manuais para ajudar os necessitados (não custa lembrar o blog da Grazi que dá ótimas receitas de tricô e crochê que podem ser usadas para enfrentar a p...